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quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

COMADRE YVONE



     Após subir os sessenta e poucos degraus da Igreja de São Sebastião de Varre-Sai, detive-me um pouco em seu átrio, para recompor as forças.
     Ao olhar para a escadaria, vejo despontando, a cada degrau subido, o rosto de minha comadre Yvone Ramos.
     Ela vem com um sorriso nos lábios.
     Eu vou sorrindo para ela em resposta também...
     Aproximando-se bem de mim, ela diz:
     - Viu só? Estou com as flores para enfeitar a Capela do Santíssimo!
     Então é que fui reparar no buquê de rosas que ela trazia.
     Devo ter ficado com cara de tola, porque ela voltou a falar:
     - Não se lembra do que você disse? Que ainda me veria com uma braçada de flores para ornamentar a Igreja?
     - Oh, Yvone! - respondi - Nem me lembrava mais... Ainda bem que lhe desejei coisa boa!

     Anos antes,  eu "proferira aquela sentença" a seu respeito e na sua presença. Veja só como aconteceu.
      
      Retornei ao NEC, após ter ficado cedida por um ano, mais ou menos, à Secretaria Municipal de Educação. Sentia-me uma estranha no ninho ao constatar que havia perdido minhas funções ali. Tive a idéia de pedir mesa, cadeira e uma velha máquina de escrever. Coloquei tudo em um canto e fiquei ali. Com isto, queria dar um recado:
-"Ó gente! Estou aqui! Tenho uma máquina para datilografar. Podem dar-me serviço."

    A Secretaria de Estado de Educação já estava informatizando todos os seus órgãos. Entre nós, já sobravam funcionários que, em breve, retornariam ao seu local de origem.

     Com a exoneração de Prof. Francisco de Assis Pereira do cargo de Diretor-Geral do NEC, havia assumido o Prof. Célio Roberto Pereira. Yvone Ramos e Suely Avellar permaneceram como Diretoras-Adjuntas.

     Eu assim, sem ocupação, levei minha Bíblia e ia anotando em um caderno os versículos que escolhia para minha vida.
     Yvone, um dia, falou em voz mais alta, para todos e para mim, em particular, creio eu:

     - Acho que quem tem vocação religiosa deve tornar-se padre ou freira, conforme o caso.
     
     Eu entendi que ela não aprovava minha leitura bíblica em local de trabalho. Para ser bem sincera, nem eu... Mas não aguentaria cumprir o horário a olhar pela janela. Bater papo também seria desagradável.
   E eu estava, então, totalmente ocupada com "as coisas de Deus": membro dos Vicentinos e participante do Grupo de Oração Nossa Senhora da Natividade (Renovação Carismática Católica).  Participava da missa quase que diariamente e não perdia a adoração ao SS nas primeiras sextas-feiras. Até parecia membro do Apostolado da Oração!
     Havia abandonado todo tipo de leitura que não fosse religiosa. Daí levar a Bíblia...
   
    Então, dei à Yvone a seguinte resposta:

    - "Ainda vou ver você subir a escadaria da Igreja de São Sebastião com uma braçada de flores para enfeitar o altar!"

    Graças a Deus que lhe desejei o bem porque minhas palavras se concretizaram.
            
    Yvone, já sendo participante assídua das missas dominicais, desde os tempos difíceis do Padre Otto, tornou-se muito agradável a Deus com sua grande dedicação a Ele! Atualmente, é Ministra da Eucaristia e, por algum tempo, participou ativamente do Grupo de Oração da RCC local (Grupo de Oração Jesus Bom Pastor).


  
     

sábado, 29 de outubro de 2011

CARCINOIDE?!


Submeti-me a uma histerectomia e
apendicectomia.

Chegou o dia de retirar os pontos.

Enquanto executava o procedimento, o médico
foi conversando calmamente e comentou que
chegara a biópsia.

Havia um carcinoide no apêndice íleo-cecal,
disse-me ele. 

Não era nada tão grave, procurou aquietar-me,
ao perceber meu espanto .

Tanto maior era o espanto porque a retirada do
apêndice foi feita a meu pedido - um "achado",

portanto.

- Como não era? Perguntei-lhe.  

- E o significado do início da palavra?

- Já não revelava o suficiente?

Tudo o que meus olhos enxergavam ficou
restrito a um espaço de uns 15 cm de
comprimento por 04 cm de largura. Nele, só
cabiam  os olhos do médico.

Meu mundo apequenou-se deveras!

Experiência única. Estranha. Inesquecível.
Indescritível...

Tudo acabado. Nada mais contava. Não queria
explicações nem consolo nem nada.

Determinei o tempo que me restava de vida: um
ou dois anos. Só.

Passamos na casa de minha irmã, em Natividade
e,  à tardinha, regressamos a Varre-Sai.

Regresso longo, penoso, sofrido, doído foi aquele
realizado em dezembro de 1985. 

Aquela foi o início da minha noite de horrores!