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quinta-feira, 25 de outubro de 2012

VIVA COMO AS FLORES





    - Mestre, como faço para não me aborrecer? Algumas pessoas falam demais, outras são ignorantes. Algumas são indiferentes. Sinto ódio das que são mentirosas. Sofro com as que caluniam.

    - Pois viva como as flores, advertiu o mestre.
    - Como é viver como as flores? - perguntou o discípulo.

    - Repare nestas flores, continuou o mestre, apontando lírios que cresciam no jardim. Elas nascem no esterco, entretanto, são puras e perfumadas.
    Extraem do adubo malcheiroso tudo que lhes é útil e saudável, mas não permitem que o azedume da terra manche o frescor de suas pétalas.
    É justo angustiar-se com as próprias culpas, mas não é sábio permitir que os vícios dos outros o importunem. Os defeitos deles são deles e não seus. Se não são seus, não há razão para aborrecimento. Exercite, pois, a virtude de rejeitar todo mal que vem de fora. Isso é viver como as flores.



                                                                               

quinta-feira, 18 de outubro de 2012



                          PEQUENAS FELICIDADES

                                                  Martha Medeiros

Receber notícias de um amigo que você gosta muito e que andava sumido.

Livros. Encantar-se por um autor que você não conhecia.

Sair bem na foto.

Um bom programa de entrevista da TV.

Prazos de validade bem visíveis nos produtos perecíveis.

Banho quente. Sem pressa pra sair.

Alguém encontrou e devolveu a carteira que você havia perdido com todos os documentos dentro.

Barulho de chuva antes de dormir.

Dia de sol ao acordar.

Subir na balança e descobrir que emagreceu.

Sair do dentista ouvindo a recomendação de voltar só dali a um ano.

Lembrar detalhes de um sonho bom.

A luz voltar.

Um dinheiro extra que você não estava esperando.

Conversar longamente com sua melhor amiga.

Ter concluído satisfatoriamente todas as pendências da semana.

Seu time fazer o gol decisivo no último minuto.

Chorar de rir.

Quitar uma dívida.

Uma noite bem dormida.

Um corrupto que não conseguiu se safar.




quarta-feira, 10 de outubro de 2012

1969 - ALUNOS DO JARDIM DE INFÂNCIA CARLOS MAGNO FABRI MARTINS





           Estes são os meus alunos do 3º Período do Jardim de Infância anexo à Escola Estadual Dr. Miguel Couto Filho, hoje JI Carlos Magno Fabri Martins, aqui em Varre-Sai. Turma de 1969. Ainda funcionando precariamente na casa cedida por Sebastião de Oliveira, pai de Ercília (esposa do Tancredo Righetti) e de Luiz Ramos Vargas (Lula), localizada bem em frente à Igreja Matriz São Sebastião de Varre-Sai. 
      Não me lembro do nome de todos eles. Achei que minha memória era muito boa e não fiz nenhuma anotação. Que turminha maravilhosa! 
      A partir da esquerda, Maria Inês é a quarta menina e é a que está junto de mim. O que está segurando a bandeirinha é um dos filhos do Zé Vico (Geraldo?). Embaixo, o segundo é Duílio (ou Dwílio?) Bendia e perto estão as gêmeas do Abib (uma já partiu para o andar de cima, que pena!); atrás e entre as gêmeas está a filha do Válter de Assis. Disseram-me que o penúltimo deve ser o Fernandinho (hoje casado com Suzi) e, por último, penso que seja outra filha do Válter de Assis...
      Quem reconhecer as crianças e quiser ajudar-me a nomear cada uma, entre em contato comigo.


segunda-feira, 1 de outubro de 2012

PAPO DE GENTE ANTIGA



Outro dia fui comprar um abajur. A mocinha me olhou e perguntou:
- Luminária?
Eu olhei em volta, havia uma porção de abajur.
- Não, abajur mesmo, eu disse.
- De teto?
Fiquei olhando meio pasmo para a vendedora, para o teto, para a rua.
Ou eu estava muito velho ou ela estava muito nova.
- No meu tempo - e isso faz pouco tempo - o abajur a gente punha no criado-mudo, na mesinha da sala. E lá em cima era lustre.
- Lustre?
Descobri que agora é tudo luminária. Passou por spot, virou luminária.
Pra mim isso é pior que bandeirinha virar auxiliar de arbitragem, e passe (no futebol) chamar-se agora assistência.

Quem são os idiotas que ficam o dia inteiro pensando nessas coisas? Mudar o nome das coisas? Por que eles não mudam o próprio nome? A mocinha-da-luminária, por exemplo, se chamava Mariclaire. Desconfio até que já tivesse mudado de nome.

Pra que mudar o nome das coisas? Eu moro numa rua que se chama Rodovia Tertuliano de Brito Xavier. Sabe como se chamava antes? Caminho do Rei. Pode? Pode! Coisa de vereador com minhoca na cabeça e tio para homenagear.

Mas lustres e abajur, gente, é demais.

Programação de televisão virou grade. Deve ser para prender o espectador mais desavisado.

Entrega em domicílio virou delivery. Agenda de correio, mailing. São os publicitários, os agentes de 'marquetingui'?

Quer coisa mais bonita do que criado-mudo? Existe nome melhor para aquilo? Pois agora as lojas vendem mesa-de-apoio. Considerando-se a estratégica posição ao lado da cama, posso até imaginar para que tipo de apoio serve.

Antigamente virava-se santo, agora vira-se beato, como se já não bastassem todas as carolas beatas que temos por aí.

Mudar o nome de deputado para putado ninguém tem coragem, né? Nem de senador para sonhador. Sonhadores da República, não soa bem? E uma bancada de putados?

A turma dos dez por cento agora se chama lobista! E a palavra não vem de lobo, mas parece.

E por que é que agora as aeromoças não querem mais ser chamadas assim?

Agora são comissárias. Não entendo: a palavra comissária vem de comissão, não é? Aeromoça é tão bom e terno como criado-mudo. Pior se as aeromoças virassem moças-de-apoio, taí uma idéia.

E tem umas palavras que surgem de repente do nada.

Luau - Isso é novo. Quando eu era jovem, se alguém falasse essa palavra ou fosse participar de um luau, era olhado meio de lado. Era pior que tomar vinho rosê. Coisa de bicha, isso de luau.

Mas a vantagem de ser um pouco mais velho é saber que o computador que hoje todo mundo tem em casa e que na intimidade é chamado de micro, nasceu com o nome de cérebro-eletrônico. Sabia dessa? E sabia que o primeiro computador, perdão cérebro-eletrônico, pesava 14 toneladas? E que, na inauguração do primeiro, os gênios da época diziam que, até o final do século, se poderia fazer computadores de apenas uma tonelada?

Outra palavrinha nova é stress. Pode ter certeza, minha jovem, que, antes de inventarem a palavra, quase ninguém tinha stress. Mais ou menos como a TPM. Se a palavra está aí a gente tem de sofrer com ela,
não é mesmo? No meu tempo o máximo que a gente ficava era de saco cheio. Estressado, só a turma do Luau.

E agora me diga: por que é que em algumas casas existe jardim de inverno e não jardim de verão?
                                                                                       Mário Prata