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terça-feira, 30 de julho de 2013

MEUS OITO ANOS - CASIMIRO DE ABREU




Oh! que saudades que tenho
Da aurora da minha vida,
Da minha infância querida
Que os anos não trazem mais!
Que amor, que sonhos, que flores,
Naquelas tardes fagueiras
À sombra das bananeiras,
Debaixo dos laranjais!


Como são belos os dias
Do despontar da existência!
— Respira a alma inocência
Como perfumes a flor;
O mar é — lago sereno,
O céu — um manto azulado,
O mundo — um sonho dourado,
A vida — um hino d'amor!


Que aurora, que sol, que vida,
Que noites de melodia
Naquela doce alegria,
Naquele ingênuo folgar!
O céu bordado d'estrelas,
A terra de aromas cheia
As ondas beijando a areia
E a lua beijando o mar!


Oh! dias da minha infância!
Oh! meu céu de primavera!
Que doce a vida não era
Nessa risonha manhã!
Em vez das mágoas de agora,
Eu tinha nessas delícias
De minha mãe as carícias
E beijos de minhã irmã!


Livre filho das montanhas,
Eu ia bem satisfeito,
Da camisa aberta o peito,
— Pés descalços, braços nus —
Correndo pelas campinas
A roda das cachoeiras,
Atrás das asas ligeiras
Das borboletas azuis!


Naqueles tempos ditosos
Ia colher as pitangas,
Trepava a tirar as mangas,
Brincava à beira do mar;
Rezava às Ave-Marias,
Achava o céu sempre lindo.
Adormecia sorrindo
E despertava a cantar!



É muito comum ouvir: deixa o passado para lá!
Pedro Nava, médico e escritor, diz em "Baú de Ossos", seu livro de memórias, que olhar para o passado é como dirigir um carro olhando pelo retrovisor.
Não olhemos só pelo retrovisor. Mas usá-lo é necessário.. Pode evitar acidentes. Tanto que, nas Escolas, estudamos História. História do Brasil e História Geral.
Do passado tiramos importantes lições!
Viver o hoje, sem se ater ao passado nem se preocupar com o futuro é um bom e sábio ensinamento.
Desprezá-lo, ignorá-lo, nunca olhar para o passado  é
 f-a-l-s-i-d-a-d-e  pura.
Não há quem não se lembre do seu tempo de criança. Por pior que tenha sido, é um tempo que nos traz saudades.  Saudades boas ou más, não importa...  
É um tempo de magia o da nossa infância. Quantos  sonhos! Mal sinal quando não os temos mais: é que a esperança se foi..


Oh! que saudades que eu tenho da aurora da minha vida, da minha infância querida que os anos não trazem mais! 







sábado, 20 de julho de 2013

HINO NACIONAL BRASILEIRO





Letra: Joaquim Osório Duque Estrada
Música: Francisco Manoel da Silva

Ouviram do Ipiranga as margens plácidas
De um povo heróico o brado retumbante,
E o sol da Liberdade, em raios fúlgidos,
Brilhou no céu da Pátria nesse instante.
Se o penhor dessa igualdade
Conseguimos conquistar com braço forte,
Em teu seio, ó Liberdade,
Desafia o nosso peito a própria morte!
Ó Pátria amada,
Idolatrada,
Salve! Salve!
Brasil, um sonho intenso, um raio vívido
De amor e de esperança à terra desce,
Se em teu formoso céu risonho e límpido
À imagem do Cruzeiro resplandece.
Gigante pela própria natureza,
És belo, és forte, impávido colosso,
E o teu futuro espelha essa grandeza.
Terra adorada
Entre outras mil,
És tu, Brasil,
Ó Pátria amada!
Dos filhos deste solo és mãe gentil
Pátria amada,
Brasil !
Deitado eternamente em berço esplêndido,
Ao som do mar e à luz do céu profundo,
Fulguras, ó Brasil, florão da América,
Iluminado ao sol do Novo Mundo!
Do que a terra mais garrida
Teus risonhos lindos campos têm mais flores;
" Nossos bosques têm mais vida",
" Nossa vida" no teu seio "mais amores".
Ó Pátria amada,
Idolatrada
Salve! Salve!
Brasil, de amor eterno seja símbolo
O lábaro que ostentas estrelado
E diga o verde-louro desta flâmula
Paz no futuro e glória no passado.
Mas, se ergues da justiça a clava forte,
Verás que um filho teu não foge à luta,
Nem teme, quem te adora, a própria morte.
Terra adorada
Entre outras mil,
És tu, Brasil,
Ó Pátria amada!
Dos filhos deste solo és mãe gentil
Pátria amada,
Brasil 


      No momento em que o Brasil está vivendo uma nova onda de amor à Pátria, há muito não visto, achei por bem divulgar o Hino Nacional.
      No meu tempo de aluna do Curso Primário, era cantado todos os dias, nas escolas públicas, antes do início das aulas.
      Na Escola Estadual Dr. Miguel Couto Filho, Varre-Sai, RJ, quem puxava o Hino era a Professora Elcy Salles Figueira possuidora de uma boa voz.
      Quando professora, no Colégio Estadual Flávio Ribeiro de Rezende, Natividade, RJ, havia um dia na semana em que alunos e professores (nós de jaleco) cantávamos juntos o Hino cuja execução ouvíamos em um toca-disco...
      Na condição de professora "aposentadíssima", não sei mais como acontecem as coisas nas Escolas. 
      Com as manifestações públicas acontecendo, sucessivamente, em todo o Brasil e o povo redescobrindo que "é o dono verdadeiro do poder", indo para as ruas cantando com empolgação não só o Hino Nacional, mas também o da Independência, é bem possível que novos ares de brasilidade alcancem as Escolas...


quarta-feira, 10 de julho de 2013

Mário Quintana







Mário Quintana 


Tão bom viver dia a dia...
A vida assim, jamais cansa...

Viver tão só de momentos
Como estas nuvens no céu...

E só ganhar, toda a vida,
Inexperiência... esperança...

E a rosa louca dos ventos
Presa à copa do chapéu.

Nunca dês um nome a um rio:
Sempre é outro rio a passar.

Nada jamais continua,
Tudo vai recomeçar!

E sem nenhuma lembrança
Das outras vezes perdidas,
Atiro a rosa do sonho
Nas tuas mãos distraídas...

A vida é feita, tão somente, de momentos.
Só admitimos esta verdade quando o tempo já passou.
Aí, olhamos para trás e concluímos que não demos o devido valor àquele momento.
Uma pena que não podemos retroceder no tempo.
Passou... Agora, só resta a lembrança. O que ainda é muito significativo.
Ah! Se pudesse abraçar e segurar para sempre certos acontecimentos, no instante preciso em que sucederam, lá na minha infância!

Eu nunca poderia imaginar que aquele foi um momento de felicidade!