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domingo, 13 de janeiro de 2013

A CACHORRA DA VERÔNICA




                          
      Verônica não é uma cachorra. Verônica é minha sobrinha (foto acima). Sobrinha, afilhada e comadre. 
      Ela começou a tratar bem uma cadela de rua, uma "vira-lata", como se diz. Colocou-lhe o nome de Xuxa. Dava-lhe banho, comida e carinho.
      Com pouco tempo, Xuxa se aproximou dos demais integrantes da família: pai, mãe, irmão, avó e tia. E todos nós começamos a dar-lhe atenção e carinho.
      A cachorra da Verônica gostou muito de ter "dona". De sua independência, entretanto, não abriu mão. A princípio, vinha jantar e dormir. Depois, começou a aparecer mais vezes durante o dia. Quando ficou mais velha, vinha muitas vezes... Mas continuou sendo "cachorra de rua". 
      Verônica dava-lhe um banho caprichado. Daí a pouco, ia ela para a rua e voltava toda suja!
      A cachorra adquiriu certos hábitos interessantes!
      Às sextas-feiras, ia ao Colégio Santa Teresinha, onde Lucas, o irmão de Verônica, estudava.
      Certa vez, ao aproximar-se da sala de aula, fecharam a porta. Ela pulou pela janela e foi ficar junto de Lucas...
      Aos domingos, infalivelmente, ia à missa. Se Verônica já houvesse saído, ela ia sozinha. Verônica tinha preferência pela primeira missa matinal que, no tempo em que aqui esteve o Padre Valdemir, era celebrada na Capela de Santa Filomena, às 07:30h, se não me falha a memória. Xuxa passava, inicialmente, pela referida Capela. 
      Estando fechadas as portas, Xuxa seguia até à Igreja Matriz de São Sebastião onde era celebrada a segunda missa, às 09:30 ou 10:00h.
      Ia entrando e conseguia encontrar sua "dona". Se demorasse muito a encontrá-la, ficava por perto de outro membro da família que encontrasse. Deitava-se debaixo do banco onde estivesse um de nós. Que horror! Todos se assustavam embora já a conhecessem! Padre Valdemir sempre acalmava os fieis dizendo: "não se preocupem não; é a cachorra da Verônica, ela é mansa..."

E por falar em Padre Valdemir...


No batizado de meu sobrinho-neto (2005), filho de Priscila, pedi-lhe:
- Ore por minha sobrinha, Padre! Está grávida e com muito enjoo. Nem consegue comer! Está tão magrinha...
Com todo fervor ele orou. Terminada a oração, fez-lhe uma proposta:
- Quer trocar os olhos comigo? Ainda lhe volto R$ 100,00...
Os lindos olhos azuis de Flávia pelos estrábicos do Padre...?! Assim não dava. Mas este defeito não lhe trazia prejuízo algum tendo em vista sua simpatia, alegria e dedicação.

Recém-ordenado, Padre Valdemir chegou aqui ainda sem carteira de motorista. Deixava o carro da Paróquia na garagem e "pernas p'ra que te quero"...

Assim conheceu quase toda a população e fez muita amizade. 
Visitava os amigos jovens e conquistava também os velhos da família.

Plagiando Jorge Ben Jor: - Alô, Padre Valdemir!  Aquele abraço!




      

sábado, 5 de janeiro de 2013

Manuel Bandeira, poesia




Vou-me Embora pra Pasárgada
Manuel Bandeira

Vou-me embora pra Pasárgada

Lá sou amigo do rei

Lá tenho a mulher que eu quero

Na cama que escolherei

Vou-me embora pra Pasárgada

Vou-me embora pra Pasárgada

Aqui eu não sou feliz

Lá a existência é uma aventura

De tal modo inconseqüente

Que Joana a Louca de Espanha

Rainha e falsa demente

Vem a ser contraparente

Da nora que nunca tive

E como farei ginástica

Andarei de bicicleta

Montarei em burro brabo

Subirei no pau-de-sebo

Tomarei banhos de mar!

E quando estiver cansado

Deito na beira do rio

Mando chamar a mãe-d'água

Pra me contar as histórias

Que no tempo de eu menino

Rosa vinha me contar

Vou-me embora pra Pasárgada

Em Pasárgada tem tudo

É outra civilização

Tem um processo seguro

De impedir a concepção

Tem telefone automático

Tem alcalóide à vontade

Tem prostitutas bonitas

Para a gente namorar

E quando eu estiver mais triste

Mas triste de não ter jeito

Quando de noite me der

Vontade de me matar

— Lá sou amigo do rei —

Terei a mulher que eu quero

Na cama que escolherei

Vou-me embora pra Pasárgada.