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domingo, 17 de fevereiro de 2013

MEU TESOURO: MEU ANTIGO LIVRO ESCOLAR



      Coisa formidável a mente humana!


      Ao nos aproximarmos do sul do Estado do Rio de Janeiro em direção ao Estado de São Paulo, enxerguei uma árvore cujo desenho, em preto e branco, ocupava a página esquerda do meu antigo livro escolar intitulado "Meu Tesouro" e, do lado direito, havia um texto referente à figura: uma araucária.
      Nunca podia imaginar que a página do livro fosse saltar, desta forma, lá do fundo da minha memória e se tornar real!
      Este fato se deu no ano de 2001, quando fizemos uma viagem à cidade de Poços de Caldas/MG.



      Eis aí a araucária.

      Desde que a contemplei no meu livro escolar, há quase 60 (sessenta) anos, achei-a imponente, majestosa, bonita, diferente.
      Com efeito, ela não existe na região onde moro. É própria do sul do Brasil.
      MEU TESOURO! Que livro inesquecível! Um tesouro mesmo. Nele continha todas as disciplinas a serem estudas na série. O livro, no ano seguinte, serviria para minha irmã e, depois, para a outra. Além do pouco peso a carregar, também se fazia economia, muito embora não fosse esta a intenção da Escola.




ABRANCHES, Helena Lopes; SALGADO, Esther Pires. Meu Tesouro: 1. série primária. 12. ed. Rio de Janeiro: Companhia Brasileira de Artes Gráficas, 1954. 155 p., il.



      Para complementar, adquiríamos, à parte,  uma Tabuada cujo autor creio que seja Viveiros de Vasconcelos. Nela havia muita coisa a estudar... Além de somar, diminuir, multiplicar e dividir, a Tabuada incluía números cardinais, numeração romana, números decimais, etc.



      Hoje em dia, quantos livros os estudantes têm que carregar!





      Até parecem burros de carga... 

      O fato já está preocupando os ortopedistas. Há estudos e disposições sobre quantos quilos uma criança pode carregar tendo em vista o seu peso...
Isto começou há muito tempo. Há mais de vinte anos, vi uma criança de uns oito anos puxando uma mochila de rodinhas... Achei até engraçado! Parecia um idoso carregando sua bagagem. 


      Junto com a visão da árvore, vieram à minha mente as lembranças dos meus primeiros anos na Escola. Uma delas é a turma multisseriada. Que coisa horrível ter que conviver com alunos mais velhos, mais sabidos que me deixavam ainda mais envergonhada, mais tímida. 

      Certa vez, a professora mandou-me ir ao quadro-de- giz (quadro-negro, que era como se dizia) resolver um problema de matemática. Quando retornei à minha carteira, caí esborrachada em um espaço exíguo! O colega de trás, um marmanjo, fez uma brincadeira (maldade) comigo: levantou o assento da carteira antes que eu me sentasse.
      A água que bebíamos era a da torneira do tanque debaixo da casa de dona Helena (onde funcionava a Escola Pública).
      Lá embaixo, também havia o Agenor, um afro-descendente que as crianças diziam ter sido escravo (será?) da mãe de dona Helena. Nunca soube se é verdade mesmo. Agenor não era muito bom da cabeça. Às vezes, saía pela rua e entrava em alguma casa  assustando os moradores.
      Na hora do recreio, quem tivesse fome e dinheiro, podia ir à Padaria Santo Antônio, de Torino Fabri (meu padrinho Nego) e comprar um pão.
      Pátio? Não havia... Era a rua mesmo.