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quinta-feira, 20 de junho de 2013

VARRE-SAI / VELÓRIO NO "MACUCO"




       "Macuco" é a denominação de um sitio localizado na zona rural do Município de Varre-Sai, RJ, Brasil.

       O velório era de um chefe para de família paupérrimo.
       O Governo Federal ainda não havia instituído a ajuda da "Bolsa Família" que beneficia a tantos! Há até os que a recebem indevidamente...
       Pobreza extrema. Cama? Que nada! Dormiam em esteiras colocadas no chão.
       Onde colocar o defunto? Não havia sequer um banco de madeira...
       Como era habitual em casos assim, fizeram dois buracos estratégicos em paredes da sala. Neles, colocaram dois bambus grossos que atravessavam a parede e ainda sobravam pontas para outro cômodo da casa.
      Sobre os bambus, colocaram uma tábua onde depositaram o corpo inanimado.
      O caixão ainda estava sendo confeccionado por Eliazar Gomes Primo que, muitas vezes, dava martelada noite a dentro até entregar o caixão.
      Era caixão de taipá. Madeira fraca, leve e barata, muita usada na época em construções para fazer andaimes. Forrava-se o caixão por dentro e por fora: de tecido branco, por dentro; de tecido roxo, por fora.
      O tecido roxo tinha estampas douradas ou prateadas. Era um tecido fúnebre mesmo. Dava arrepio só de ver um caixão destes...
      Conta-se que Eliazar bancava a despesa toda, na maioria das vezes. Só cobrava quando a família queria tecido melhor para revestir o caixão.
      Seus préstimos nunca foram negados. Tinha isto como uma missão.
      "Seu" Eliazar ainda tinha uma grande paixão: o Serrano Esporte Clube. Cuidava gratuitamente do gramado do "Estádio dos Eucalíptos" que, mais tarde, recebeu o nome de "Estádio Torino Fabri".
      Bem que podia ser nome de rua... Ou do estádio de futebol, caso seja necessário retirar o nome de Torino Fabri que, como Eliazar,  era um grande apaixonado pelo futebol.
      Dentre os presentes no velório, encontrava-se Antônio Barzani, então funcionário do posto de gasolina do senhor Bituta. Conta-se que ele não perdia um velório por nada...
      Lá pelas duas horas da madrugada, Antônio Barzani saiu sorrateiramente da sala. Desceu os degraus de uma escada de madeira da porta da sala. Retirou a escada.
       Voltou pela porta da cozinha. Sentou-se em uma das pontas de bambu que sustentava o corpo e que sobrava para o outro lado. Balançou pra lá e pra cá. O defunto, lá dentro, também começou a balançar.
       Antônio saiu rapidamente. Foi para a frente da casa ver o povo sair.  Deu boas gargalhadas. O pessoal saía feito doido, caindo da porta de onde fora retirada a escada! Voavam e caíam no terreiro... Eram os "machos" do velório!
      Não sei o porquê de "Barzani", já que Antônio era irmão de Gumercindo Alves Moreira. Só sei que ele tinha poucas e boas para contar... Já é falecido. Alguém mais deve conhecer outras de suas façanhas... São coisas que precisam ser contadas. Fazem parte da história de Varre-Sai...


Um comentário:

Blog do Titio Odithes disse...

O SENHOR ANTONIO BARZANI ERA REALMENTE UMA FIGURA DAS MAIS EXTRAORDINÁRIAS DE VARRE-SAI, PORQUE TUDO O QUE ELE FAZIA, DAVA ORIGEM A UMAS BOAS GARGALHADAS A QUEM ESTIVESSE POR PERTO!
UMA GRANDE SAUDADE PARA TODOS NÓS!
FORTE ABRAÇO AOS FAMILIARES DELE!
SEBASTIÃO ODITHES