Google+ Followers

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

CASAMENTO NA ROÇA. INESQUECÍVEL!



      Na época, não havia casamento religioso com efeito civil.

      Era muito comum que os noivos, procedentes da zona rural, tivessem o casamento civil realizado no Cartório mesmo, antes ou depois do religioso. Geralmente, era depois.

       Quem presidia o ato era o Escrivão junto com o Juiz de Paz nomeado para Varre-Sai, então Segundo Distrito do Município e Comarca de Natividade.

       Muitas vezes o casamento civil acontecia  na residência da noiva.

       Numa dessas ocasiões, na condição de Escrevente de Justiça e Suboficial do Registro Civil, fui realizar tal cerimônia.

       O Juiz de Paz designado era Theobaldo Pellegrini.

  Fomos de jeep pois a estrada era precária. Léia, minha irmã, foi de companhia.

       O motorista estacionou o carro na estradinha de chão. O restante do trajeto foi a pé. Atravessamos o córrego e alcançamos a casa da noiva.

       Gente simples.

       Após o casamento, fomos privilegiados com o convite para almoçarmos na "despensa" da casa. Toda a fartura estava ali.

       Um cabrito assado tão gostoso, tão bem preparado! O melhor que comi em toda a minha vida. Preparar carne de cabrito requer conhecimento. Se não for retirada uma determinada pecinha dele, cujo nome não me recordo, a carne fica imprestável.

       Cabrito com angu. Só isto. Até o angu (mingau de fubá que se deixa adquirir certa consistência) estava otimamente preparado.

        Regressamos à sala. Vieram os doces.

        Theobaldo, eu e minha irmã nos colocamos próximos a uma janela. Estávamos bem localizados, embora em pé.

       Veio a primeira tigela de doces. Eram cor-de-rosa e cortados em pequenos quadradinhos.
  
       Mastigamos e mastigamos. Todo o açúcar se foi. Na boca restou uma boa quantidade de massa  que não engolíamos por nada. Bem que nos esforçamos...

       Eram, todos eles, doces feitos com "farinha-de-mandioca" (em outras regiões do Brasil, "aipim").

       Vieram os doces verdes, amarelos, brancos... Servíamo-nos para não ser indelicados e dávamos um jeito de escondê-los.

        A situação não era para risos, mas... quão difícil foi evitá-los dado ao temperamento bricalhão de Theobaldo.

        Retornamos debaixo de chuva.
        Casamento com chuva traz sorte para os noivos, dizem os supersticiosos...

        Fui com um vestido novo que eu mesma cortara e costurara. Mas não molhara o tecido antes de confeccioná-lo...

        Deixei-o a secar perto do fogão a lenha por estar todo molhado da chuva.

No dia seguinte, que baita surpresa: o vestido encolhera tanto que não mais me servia.

       Tudo tão difícil, naquela época... E lá se foi o meu vestido novo!      
       

Nenhum comentário: